O café
dessa manhã passou do ponto. O amor de uma vida passou por você. Mas você sabe
que nada faz sentido e agora o café tem sabor de melancolia.
Para passar tempo
sexta-feira, 10 de agosto de 2012
terça-feira, 7 de agosto de 2012
A vida - por uma garrafa de refrigerante
Enche, esvazia, de mão em mão, boca em boca, essa é a minha rotina.
Aglomerada, enfileirada, encaixotada, ansiosa
por alguns instantes de boêmia.
Tudo começa com aquele pequeno estrondo.
O que estava acumulado se esvai em goladas
e quando dou por mim, estou adentrando um organismo.
Aos poucos.
Acompanho as conversas, sejam elas animadas ou melancólicas, nem percebo o tempo passar.
Recostados ao balcão, ao meu lado, ou acomodados em cadeiras,
me escolhem de longe, julgam me conhecer bem.
É comum deixarem o bastante para um ultimo gole...
Gratificam o taberneiro e eu volto para as caixas, esvaziada, aguardo com as outras retornáveis
o momento em que seremos levada dali para onde irão nos preencher, silenciar, enfileirar, aglomerar...
O ciclo se repete, mas nunca da mesma forma.
As pessoas nunca são as mesmas, os locais e as histórias também não.
Essa é a (metáfora da) vida de uma garrafa de refrigerante,
um ciclo de acasos, num mundo diverso e constante.
segunda-feira, 23 de julho de 2012
Já é de manhã e o que passou pela cabeça de Jorge não posso-lhes contar. Mas ele mesmo tratou de esquecer, essas ideias não são boas companheiras de trabalho. Quantos erros de escrita detectados, seus alunos não estão lendo o que recomenda, é a unica explicação plausível... Ai, que a concentração lhe foge e torna a lembrar de Ana, de seus olhares carinhosos, suas formas frágeis habitando o mesmo ser de um temperamento explosivo. Ana era, por muitas vezes, a melhor lembrança que lhe ocorria, quanta saudade. Desde que começou a exercer suas funções de educador, Jorge ocupou-se com seus projetos e pouco se viam, mas ela estava sempre lá, na loja de jardinagem, a cuidar daquelas plantas, ele chegou a comprar uma samambaia, um pau dágua, mini cacto, uma lança de são jorge e um lírio da paz só pra ter o pretexto de ficar conversando, de ir vê-la. Mas o tempo foi passando, mudaram de telefone sem que o outro soubessem, deixaram de compartilhar historias e isso foi se acumulando ao passo que já não sabiam como puxar assunto, mas sentiam falta de conversar a bobagem que fosse, se aproximar era o que queriam.
Até que chegou o dia de ação de graças, ele estava cheio de coisas a fazer, mas não suportava mais ficar enfornado dentro de casa e saiu, em busca de alguém para um dedo de prosa, em busca de matar a saudade de Ana... E lá estava ela, forrando a mesa com uma toalha de bilro, mas logo viu que Ana já não a reconhecia, estava mudada em seus gestos, o olhou com rancor. Ele não compreendia, mas quando se deu conta, Ana estava com uma família formada, com um bebê no ventre. Isso foi o suficiente para ele se sentir um idiota. A unica pessoa que tanto estimava, pensava ter sido esquecida por ele, Ana o amou, mas o amor foi substiuido pela solidão, pelo despeito, pelo ódio e para Jorge já não olhava com carinho. Ele era o culpado por terem se afastado, assim pensava ela, ele passava todos os dias pela loja, mas correndo, estava sempre ocupado e extressado demais para atender os telefonemas sugerindo outras plantas decorativas, as suas já haviam morrido por falta de cuidados. E assim morreu o amor entre eles, por falta de cuidados, de atenção, morreu esquecido.
sábado, 21 de julho de 2012
Versos Íntimos
Vês! Ninguém assistiu ao formidávelEnterro de tua última quimera.Somente a Ingratidão - esta pantera -Foi tua companheira inseparável!
Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,Mora, entre feras, sente inevitávelNecessidade de também ser fera.
Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,Escarra nessa boca que te beija!
Augusto dos Anjos
quinta-feira, 1 de março de 2012
Nada é tão insuportável ao homem como quedar-se em pleno repouso; sem
paixões, sem ocupação, sem divertimento, sem aplicação. Ele sente então o seu
nada, o seu abandono, a sua inutilidade, a sua dependência, a sua incapacidade,
o seu vazio. Imediatamente lhe crescerá do fundo da alma o tédio, a vileza, a
tristeza, o desgosto, o desânimo, o desespero.
Arthur Schopenhauer
paixões, sem ocupação, sem divertimento, sem aplicação. Ele sente então o seu
nada, o seu abandono, a sua inutilidade, a sua dependência, a sua incapacidade,
o seu vazio. Imediatamente lhe crescerá do fundo da alma o tédio, a vileza, a
tristeza, o desgosto, o desânimo, o desespero.
Arthur Schopenhauer
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
Porque eu não sou de falar muito
E essas não são vontades de se revelar, são daquelas inseguras demais para incitar a coragem de realiza-las. As estimo. Não precisam ser expostas para existirem, ainda que geradas e nutridas por meus conflitos, se desprendem e tornam-se componentes livres. Sim, as vezes isso é um problema, mas você esquecerá dessa conversa assim que formos ao café. Desprezá-las? Não, elas só causam uma inquietação, que leva-me a questionar todas as outras vontades... Que você conhece bem.
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